terça-feira, 24 de agosto de 2010

PREVISÕES ASTROLÓGICAS

            Uma das perguntas que as pessoas me fazem quando digo que sou astróloga é: _’E então, quais são as previsões para este ano/pro Brasil/ pro meu signo?’ É constrangedor ter que explicar toda vez que eu não faço esse tipo de trabalho, que minha linha é mais para o auto-conhecimento, etc.
Se  fizesse previsões desse tipo, com certeza teria muitos clientes, todos ávidos por saber o futuro, e estaria ganhando muito dinheiro! Pensar sobre o tema me remete a um evento que ocorreu este ano, quando até um polvo fazia prognósticos que, nesse caso, foram mais acertados que os de qualquer astrologo, vidente, tarólogo e assim por diante.
A copa do mundo deixou-nos momentaneamente hipnotizados por um mês, a midia não falava sobre outro assunto e como não podia faltar, varios profissionais apareceram na TV, nos jornais e na internet dando seus palpites sobre os jogos e os vencedores. É aqui onde cabe algum esclarecimento. A esse tipo de previsão, eu chamaria de profecia. No Aurelio, a definição de profecia é: predição do futuro feita por um profeta, oráculo, vaticínio, presságio. Hipótese, suposição , conjetura.
E quando buscamos por previsão, está escrito: ato ou efeito de prever, antevisão, presciência. Estudo ou exame feito com antecedencia. Cautela, prevenção.
Quando queremos saber quem vai ganhar a copa ou a presidência da república, estamos atrás de uma profecia, uma adivinhação. Que, estatisticamente, tem cinquenta por cento de possibilidade de acerto!
Agora, se alguem está em crise, inseguro quanto ao futuro, sem saber como lidar com as desafios que se apresentam, então aí é onde o trabalho do astrológo pode ser de extrema valia. Nesse caso, fazer previsões baseia-se num estudo prévio das energias que estão em jogo, não para dizer ao cliente o que deve ou não fazer ( exceção, talvez, da astrologia eletiva ou horária), mas para orienta-lo sobre como lidar com o tipo de energia que está por vir. Sabemos qual é essa energia, mas não sabemos como ela vai se manifestar. Se soubessemos exatamente como, seriamos ótimos videntes, profetas e estaríamos com a agenda repleta até o ano 2015, provavelmente!
Não podemos afirmar que um divorcio está a vista, deixando o cliente sem escolha, mas podemos mostrar-lhe que, se não houver uma mudança significativa numa relação deteriorada, provavelmente haverá uma ruptura drástica, porque aproxima-se um momento de mudança e renovação. É uma lei básica da vida: se não fizermos nossa parte, a vida fará por nós, quase sempre através da dor. Ter o estudo astrológico como aliado, implica alguma escolha ou pelo menos algum grau de consciência que nos permite transitar pelas crises ganhando maturidade e poder de decisão. Diferentemente, quando alguém nos profecia que está por vir um divórcio, deixa-nos vítimas do destino, marionetes dos planetas que, inexoráveis, determinam nossa sorte.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

SATURNO E OS MECANISMOS DE DEFESA – PARTE II

A experiência de Saturno (e todos nós o temos em algum lugar do Mapa Astral) gera uma gama variada de mecanismos de defesa. Alguns até produzem resultados positivos, como, quando por compensação, desenvolvemos nosso ponto fraco, mas em geral, não funciona bem assim. É preciso passar por muitas vicissitudes antes de descobrirmos nossos medos mais profundos, nossas falhas mais ocultas.
Basicamente, Saturno produz privação. Algo nos foi negado, mas como os planetas refletem apenas um modo de percepção e nem sempre refletem a situação real, temos que descobrir se realmente houve algum tipo de privação ou se foi nosso grau de exigência e de importância que não nos permitiu aceitar ou reconhecer o que nos foi dado. Como menciona Liz Greene , em seu livro “Saturno”, ele simboliza tanto um processo psíquico como um tipo de experiência, porém a sensação é de que algo nos foi negado, algo que necessitávamos e, por isso, nos tornamos limitados, restritos, inadequados, “subnutridos” numa area particular de nossa psique. E enquanto não alcançarmos um grau de consciência da ferida saturnina, estaremos condenados a produzir defesas inconscientes que nos anestesiam e nos alienam, mantendo-nos afastados de nossa essência. Como fazemos isso? Compensando nosso sentimento de inadequação, seria um exemplo. Pode ser uma falsa compensaçao, como quando fingimos que somos ótimos naquilo que secretamente sentimos que temos dificuldades. Alguem com Saturno em Gêmeos pode se gabar de ser um ótimo comunicador, insistindo em pronunciar e escrever as palavras de forma obssessivamente corretas. Porem, atras dessa pseudo-superioridade intelectual pode esconder uma profunda inadequação na arte de estabelecer amizades e laços sociais .
Outro mecanismo de defesa de Saturno é quando projetamos lá fora aquilo que nos assusta, nos restringe e nos faz sentir inadequados. Culpamos o outro por todos nossos males. O marido é um sacana, a mãe é castradora, o chefe boicota nosso crescimento….foram eles que não nos deixaram crescer, realizar, vencer, superar. Saturno é extremamente sutil em construir defesas. Podemos evitar lidar com nossas dificuldades escolhendo justamente pessoas que nos impedirão de enfrentar nossos medos mais profundos. Quando esse planeta está em Escorpião, podemos evitar um relacionamento mais íntimo e profundo, recusando compromisso ou escolhendo alguém com algum bloqueio sexual ou emocional, assim evitamos encarar o doloroso fato de que temos dificuldades com a própria sexualidade.
Talvez um das defesas inconscientes saturninas mais graves seja o desprezo. Define-se desprezo como um intenso sentimento de desrespeito e antipatia, semelhante ao ódio, mas que implica um sentimento de superioridade. Quando desprezamos, estamos desconsiderando o outro como alguem que possa ter algum valor ou atenção. Quando sentimos desprezo, nos sentimos superiores. Uma constrangedora maneira de evitar reconhecer nossas proprias inadequações! Desprezo parece estar conectado com o sentimento de humilhação e inadequação que frequentemente encontra-se no centro das defesas saturninas.
Bem proximo ao desprezo surge, quase sempre, o orgulho. Não o orgulho solar que reflete auto confiança e auto-estima elevada. O orgulho de Saturno é uma defesa inconsciente contra seu sentimento de inferioridade e inadequação. Nega que necessita ajuda e amor do outro. E nega-se a oferecer ajuda e apoio àqueles que o necessitam. Nota-se tal reação nos capricornianos em geral, regidos por Saturno. Estes vestem sua máscara de independência e autonomia e parecem ter um cartaz colado na testa que diz: “nao preciso de ninguém, me viro sozinho!”
Saturno utiliza vários mecanismos inconscientes em um inútil afã de esconder sua vulnerabilidade, no entanto, não é só dor e restrição. É possivel essa experiência para alcançarmos auto-consciência e gradualmente ir percebendo o significado de nossas próprias vidas. Há um longo caminho a ser percorrido para que isso aconteça. Se entendemos o suficiente da linguagem astrológica, comecemos observando onde está Saturno em nossos mapas, em que signo e casa se encontra, que aspectos faz. Podemos nos surpreender com as descobertas, mas é preciso ter cuidado para não nos dissociarmos completamente de nossas feridas quando alguém trata de desvelá-las para nós, tendo a típica reação: “Do que é que ela está falando? Eu não sou ou não me sinto assim!” Dissociação pode ser uma outra defesa contra a dor de Saturno…

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

SATURNO E OS MECANISMOS DE DEFESA - parte I

Durante toda nossa existência lutamos em busca da totalidade. Um trabalho constante no sentido de nos tornar mais conscientes, mais completos. Porém, é um processo interminável porque, a maior parte do tempo, estamos em luta com nós mesmos. Nossas partes brigam entre si pela supremacia na psique, aflorando com isso conflitos aparentemente insolúveis. O inconsciente pressiona para transferir seu conteúdo para o nível da consciência, o que demanda um esforço considerável. Procura alcançar a luz do dia, mesmo que seja doloroso ou destrutivo para a segurança e estabilidade do indivíduo.
Se o inconsciente falha em seu propósito,as partes suprimidas podem aparecer em forma de defesas da personalidade, em forma de doenças ou em projeções em outros indivíduos. Parece simples, não? Basta saber que há algo em nós que tenta alcançar um equilíbrio que preserve nossa saúde, fazer as pazes com as partes não vividas e vivermos felizes para sempre!
Quando nascemos, nos deparamos com um padrão de energia que nos acompanhará pelo resto da vida. Esse padrão foi codificado, através da observação e da experiência ao longo dos tempos, como o mapa astrológico. Esse mapa reflete fielmente o estado cósmico no momento do nascimento do indivíduo. O campo vibracional que o mapa simboliza vai se manifestar, ao longo da vida do indivíduo, como características psíquicas, vínculos e acontecimentos que ele deverá viver.
Claro que não é suficiente conhecer esse estado cósmico para encontrarmos o equilíbrio e resolver nossos problemas com o mundo. Mas que ajuda muito, ajuda!
Pensemos em nossos mecanismos de defesa. Todos nós desenvolvemos defesas de alguma forma, como algo inerente à nossa natureza. Defesas, como diz Liz Greene, não são negativas, é a maneira de garantir a sobrevivência em qualquer nível. Porém há defesas que podem ser altamente destrutivas quando se tornam tão rígidas e fechadas que impossibilitam o diálogo.
O mestre das defesas é o planeta Saturno. Todos o temos em algum lugar no mapa. Descobrir como ele funciona e como lidamos com este tipo de energia pode ser uma experiência fascinante. É como tirar a máscara e descobrir que na realidade não precisávamos tanto dela para nos proteger e, mais ainda, a máscara impedia-nos de ver com clareza o caminho de realização e plenitude de potencial que se descortina à frente.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Plutão, Capricórnio e a função paterna


Dizem os psicanalistas que a função paterna funciona como reguladora do desejo, organizadora da entrada do sujeito no mundo da linguagem, legisladora, limitadora, pacificadora. É preciso, segundo eles, que se sustente então a função fálica, o poder do pai. Com isso, eles querem dizer que o pai muito bonzinho, compreensivo e tolerante não consegue muitas vezes cumprir tal função, deixando seu filho carente de um registro, ou de uma marca com a qual possa referir-se como “sou filho de alguém” na qual se sustentaria.

Não é fácil exercer a dura função de pai, função simbólica que não remete exclusivamente à existência de um pai biológico. Simbólica porque é ela que vai estruturar todo nosso ordenamento psíquico. Como? Ocupando o pai o lugar daquele que frustra com habilidade, que nos depara com a impossibilidade de completude. E ao introjetarmos essa frustração primordial é que vamos em busca de realizações, por isso é o pai que regula o nosso desejo: ter ou não ter ambição, ter capacidade de luta ou incompetência, confiança ou falta de autoconfiança, força de vontade, determinação ou timidez, insegurança. Esse pai tem que segurar a barra, pôr limites quando a mãe quer facilitar tudo ao filho, trazer a Lei que vai regular o desejo, defrontando o filho com a impossibilidade de uma satisfação completa. Ele é o “terceiro” que vai romper a relação simbiótica de mãe-filho, estruturando-o como sujeito que deseja (e que, portanto, não se acomoda).

A função paterna é a que sustém a coerência de um mundo, garantindo com sua presença que o caos não prevalecerá. Proíbe e exclui, mas o faz para proteger e permitir que surjam outras possibilidades.

Lei, autoridade, Estado, pai...uma cadeia de significados equivalentes que se encontram no interior do simbolismo de Capricórnio.

Em 2008, Plutão entra em Capricórnio, após 13 anos passeando por Sagitário. Seus primeiros sinais já se fizeram ver quando a menina Isabela, de apenas 5 anos, foi jogada pela janela por seu pai. Indignação em todo o país e até mesmo no mundo. Um crime que abala profundamente a instituição família, que já vem sofrendo tantas transformações nas últimas décadas. Temos a impressão de que agora chegamos ao fundo do poço. Aquele que deveria proteger e cuidar é quem nos atira pela janela.

Quase de forma simultânea surge a noticia vindo da Áustria do pai que manteve a filha e três crianças nascidas do incesto presas em um porão durante 24 anos. Uma história de abuso sexual, de filhos gerados e criados em um cubículo sem nunca terem visto a luz do dia. Por que esta história aparece justo agora? Aqui vemos a energia plutoniana emergindo da escuridão, destapando os horrores escondidos no porão do nosso inconsciente coletivo. Mais uma vez é a figura paterna que se torna ameaçadora e ameaçada.

Em sua passagem por Capricórnio, Plutão testa o poder do pai, da lei, do limite. Destrói para construir. O que surgirá depois ainda é uma incógnita.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

SINASTRIA - A astrologia nos relacionamentos

"Dai vossos corações, mas não os confieis à guarda um do outro.
Pois somente a mão da VIDA pode conter vossos corações.
E vivei juntos, mas não vos aconchegueis demasiadamente;
Pois as colunas do templo
Erguem-se separadamente
E o carvalho e o cipreste não crescem à sombra um do outro."
Khalil Gibran


Uma das perguntas que mais atraem as pessoas que consultam um astrólogo é sobre que signo combina com o delas. Como se a questão se resumisse apenas a esse tipo de compatibilidade. Signos podem combinar com signos. Porém, quando se trata de pessoas o enfoque é diferente. Seres humanos são complexos, isso é bastante óbvio. O signo solar é apenas uma dimensão de nossa totalidade. E mesmo que busquemos alguém com um singo que combine com nosso signo solar, esse fato, em absoluto, poderá garantir que seja uma relação satisfatória. Em algum nível teremos afinidades e possivelmente desfrutaremos de uma certa harmonia, mas é impossível negar ou subtrair as outras facetas de nosso caráter (os outros componentes do nosso mapa).
Chama-se Sinastria a área de estudos que faz a comparação de dois mapas astrológicos. É uma técnica usada para determinar as afinidades entre dois indivíduos - em qualquer tipo de relação: homem/ mulher, pai/filho, sócios, etc - o grau de compatibilidade e também as áreas de aprendizado e adaptação. Em outras palavras, a sinastria vai pontuar aquelas dimensões da personalidade de cada um que se compatibilizam e são harmônicas, as diferentes perspectivas que possam ter, marcando pontos de um provável conflito ou discordância. É nesse ponto que entram questões como maturidade, capacidade de aceitação do outro, de envolvimento, e outros requisitos básicos para um relacionamento harmonioso que não dependem tanto da leitura dos mapas, mas do modo como cada um aprende a lidar com as energias e potencialidades que traz latente no seu tema natal.
Através da prática astrológica pude observar que muitos casais apresentavam um alto grau de compatibilidade na comparação de seus mapas individuais, mas que , apesar disso, enfrentavam sérios conflitos de relacionamento. Uma análise mais minuciosa do mapa de cada um mostrava conflitos de personalidade que necessitavam ser solucionados, em primeiro lugar.
Há, portanto, alguns requisitos prévios à interpretação que precisamos lever em consideração numa Sinastria. O primeiro requisito é o fator individual, ou seja , a capacidade de relacionamento da pessoa. O elemento-chave que nos faz entrever quais as potencialidades de relacionamento serão possíveis é encontrado na infância do indivíduo. Através dos diferentes tipos de vínculos com os elementos da família, a criança vai armazenando um potencial vincular com essas figuras que se tornam modelos internalizados de relacionamento. Esses modelos servirão de padrão para o futuro.
As relações com o mundo vão refletir a maneira como o encaramos. O contato estabelecido com ele é determinado pelo mapa individual. A compreensão desses padrões natais permitirá ao indivíduo entrar em contato consigo mesmo para discriminar e desvencilhar-se de seus condicionamentos. A auto-compreensão nos leva ao amadurecimento. A pessoa amadurecida pode efetuar escolhas baseadas em percepções exatas de si mesma e dos outros. Quanto menos conhecer de si mesma, mais partes do seu eu fragmentado são projetadas nos outros, e mais dependente a pessoa se torna desses receptáculos de suas projeções.
Externalizamos nossos conflitos intrapsíquicos em nossos relacionamentos, que são apontados pelas quadraturas e oposições do mapa astral. Cada um desses aspectos astrológicos marca uma característica da personalidade que põe à prova a habilidade de nos relacionar harmoniosamente com os demais.
Outro requisito básico para ser levado em conta na comparação de mapas está no conceito de vìnculos. Um vínculo pode ser definido como uma estrutura dinâmica que liga uma pessoa a outra. É um conceito extremamente importante dentro da Teoria Geral dos Sistemas. Segundo essa teoria, o não-relacionamento é impossível, somos criaturas inter-relacionais, portanto o eu só pode ser compreendido em sua relação com o outro.
Na comparação de dois mapas astrológicos, cria-se um novo campo energético que é dado pela interação dos campos de energias individuais. Chamamos a isso de "interaspectos" , ou seja, os aspectos recíprocos de cada mapa. Pela análise desses interaspectos, encontraremos diferentes tipos de vínculos.
Os problemas que enfrentamos em nossas vidas são decorrentes de uma perturbação do sistema de vínculos, do nosso sistema de comunicação. Se o indivíduo consegue sintonizar-se com a corrente energética do outro, se consegue adaptar-se e relacionar-se com alguém compatível, a probabilidade de que a relação seja funcional é extremamente alta. Mas se ambas as partes olham para a relação como um lugar onde se obtêm coisas ao invés de dá-las, o resultado pode ser desastroso, não importando quão compatíveis sejam seus mapas entre si.
As motivações que impulsionam as pessoas a se escolherem estão relacionadas a fatores inconscientes. Isto é, a escolha é feita geralmente a partir de uma complementariedade. Por isso, é interessante perguntar o que cada um viu no outro que o atraiu. Por que, dentre milhares de pessoas, você foi escolher exatamente aquela?
Uma pessoa cuja alta estima seja reduzida, nutre fortes ilusões e expectativas com relação ao que espera do outro. A interpretação astrológica dos relacionamentos deverá apontar não só as áreas de compatibilidade e harmonia, mas as diferenças que inexoravelmente existem. E são elas que desafiam nossa habilidade para respeitar e aceitar o outro, e contribuem de forma criativa para o processo de evolução a dois.
A partir desses requisitos prévios, pode-se dar início à pesquisa dos mapas astrológicos envolvidos, aplicando as diferentes técnicas disponíveis. A sinastria vai apontar tanto as afinidades quanto os desafios ou estímulos dentro de uma relação.
A função da sinastria astrológica é determinar o grau de compatibilidade de uma relação, mas a decisão final está nas mãos das pessoas envolvidas.
Betinha Paes
(Artigo publicado no Jornal Quíron, em 1994)

domingo, 23 de março de 2008

OS ELEMENTOS NA ASTROLOGIA: UM ENFOQUE TERAPÊUTICO

A partir da física quântica, chegou-se à conclusão científica do que já afirmavam os orientais: que matéria e energia não podem ser consideradas coisas separadas, porque são lados opostos de uma mesma moeda. Matéria é energia condensada. E energia é matéria em radiação. Os átomos seriam concentrações de energia, vórtices de força pura que criam campos magnéticos definidos e que há leis que unem os átomos com a mesma vibração íntima, formando os sete planos da Matéria Universal, as sete espécies de energia ou TATTWAS. E, de acordo com a lei universal de correspondência do microcosmos com o macrocosmos, esses sete princípios no Universo também se manifestam no Homem. Para a filosofia oriental o homem só utiliza cinco planos da matéria Universal, mas formando com eles os sete corpos, que seriam: o físico denso, o etérico, o astral, o mental inferior, o mental superior, o Búdhico e o Atmico ou Nirvânico. Dos sete TATTWAS somente quatro se manifestam no plano terreno, que corresponderiam aos quatro elementos: Água, Ar, Terra e Fogo. O éter seria o quinto elemento, usado na medicina ayurvédica que o considera a origem dos outro quatro. Os elementos são forças que vitalizam os corpos ou veículos humanos. A Terra vitaliza o corpo físico, o Fogo relaciona-se ao corpo etérico, a Água com o corpo astral e o Ar com o corpo mental.
Na Astrologia usamos o balanço energético dos quatro elementos como diagnóstico dos campos físico, emocional, mental e espiritual do indivíduo. Sabemos que um desequilíbrio desses elementos distorce a maneira como percebemos a realidade e leva-nos a enfermidades físicas e emocionais.
Analisemos cada um desses elementos: o elemento Fogo vitaliza o campo etérico, é o que dá a energia física, o calor, a autoconfiança. Está associado com todos os processos catabólicos do corpo e com o sistema nervoso simpático. Se no Mapa Astral há uma carência desse elemento, será possível diagnosticar uma falta de entusiasmo e vitalidade visível na coloração da pele, tendendo à palidez. Socialmente, reflete-se numa dificuldade de ocupar espaço, pois o campo áurico (corpo etérico) encontra-se reduzido. Consequentemente, o indivíduo teme impor sua identidade, evita tomar atitudes ou interferir de alguma forma no meio. Com a leitura do Mapa, podemos identificar o desequilíbrio básico e sugerir meios de se reequilibrar, buscando formas terapêuticas que o estimule a liberar sua luminosidade interior, sua autoconfiança, coragem e auto-expressão. O primeiro passo é indicar, se não houver contra-indicação médica, algum tipo de atividade física, de preferência um esporte competitivo para que possa conscientizar-se de sua própria capacidade, adquirir domínio sobre o corpo e ativar a circulação sangüínea. Banhos de sol matinal, principalmente nas plantas dos pés e sobre a coluna vertebral são de grande ajuda para absorver a energia ígnea de forma direta. Atividades como cortar com faca ou tesoura também estimulam nossa cota de fogo. Para ativar a circulação, massagens com óleos. Outras atividades como dançar, evitar alimentos pesados e não tomar líquidos nas refeições podem também fazer parte da terapia de fogo. Florais e Homeopatia são necessários em qualquer tipo de desequilíbrio elementar.
O elemento Ar vitaliza o corpo mental, o movimento dado pela mente através do sistema nervoso central e do parassimpático. Tem relação com a respiração e a forma como intermediamos com o mundo exterior. Uma carência de Ar prejudica a capacidade de abstração e elaboração das vivências, pois Ar está relacionado com a função de julgar e ser objetivo que caracteriza a mente racional. No nível físico afeta a capacidade respiratória e debilita o sistema nervoso, em conseqüência nos defrontamos no campo anímico com falta de objetividade, rigidez mental, áreas de interesses reduzidas e dificuldade no contato social. A terapia para carência de Ar poderia começar com exercícios de respiração , ou simplesmente aprendendo a cantar e executá-lo no chuveiro, no carro, na cozinha, etc. Psicoterapia ajuda a verbalizar nossos conflitos e obter uma perspectiva mais ampla daquilo que nos aflige. Outro tipo de atividade de fácil execução é o caminhar sem rumo definido, fazendo diálogos internos para desobstruir o campo mental, dissolvendo ressentimentos (energia estagnada) e problemas cotidianos.
O elemento Terra vitaliza o corpo físico, os cinco sentidos, o material sólido que dá ao corpo sua estrutura básica e suporte para os órgãos. É a conexão com a realidade física, a rotina do dia-a-dia e a sobrevivência material. A falta desse elemento compromete nosso bom senso, porque nos desligamos de nossas necessidades básicas, tornando-nos fantasiosos e sonhadores. Terra restaura e sustém nossa energia e, quando em falta, estamos constantemente sujeitos ao stress por não saber regular o ritmo de nossas atividades que é função de Terra.
Terapeuticamente, é recomendado um contato mais íntimo com a natureza, como andar descalço, cuidar de plantas, trabalhar com argila, abraçar árvores... Na cromoterapia a cor verde é refrescante, tranqüilizante, proporciona equilíbrio e serenidade, qualidades associadas à Terra. Podemos trabalhar a consciência corporal com técnicas tipo Rolfing, Bioenergética, Tai chi chuan e outras. É importante que as pessoas carentes de Terra saibam organizar sua vida planificando as atividades através de um agenda, impondo-se uma disciplina com o horário do cotidiano. Se aprendermos a cozinhar poderemos cuidar de nós mesmos e nos responsabilizarmos pelo nosso alimento.
Finalmente, o elemento Água vitaliza o corpo astral, os fluidos do corpo: linfa, sangue e secreções mucosas. Está relacionado aos processos anabólicos e à direção das emoções. É o princípio de entrega porque cria laços simbióticos e envolventes. A ausência total ou parcial deste elemento no Mapa Astrológico traz transtornos no campo emocional, causando dificuldade de entrar em contato com os próprios sentimentos. Teme o desborde emocional porque é algo que está inconsciente nele, produzindo excesso de autocontrole e dificuldade de sentir e compreender o outro. Como terapia, recomenda-se beber muita água para limpar as impurezas que se acumulam no corpo físico. O banho demorado ou alternado de frio e quente, nadar, contemplar água de cascatas, fontes e rios são atividades terapêuticas também recomendadas. Para descarregar a energia estática, flexibilizar, dissolver nossas barreiras defensivas e de rigidez, um escalda-pés pode ser o ideal. É extremamente relaxante e restaurador e pode ser feito diariamente. Água é sentimento, sensibilidade. Escutar música instrumental e ler poesias desperta a emoção na alma e ativa o lado direito do cérebro. A cor azul traz paz, relaxamento, serenidade, purifica o sangue, controla as correntes psíquicas e elimina angústia. É a cor relacionada com água e usada como terapia adicional.
Tanto o excesso como a carência de algum elemento no Mapa Astral é um desafio ao crescimento. O desuso ou abuso de nossas energias são fatores que bloqueiam nosso desenvolvimento, nos desequilibram e impedem de trilhar em harmonia o caminho de Evolução.

OS PLANETAS E OS CHACRAS

Numa noite de céu estrelado, quando observarmos uma galáxia no espaço infinito, na realidade estaremos olhando a nós mesmos, porque nosso corpo é a representação em forma compacta e infinitesimal de todos os mundos exteriores. Somos, pois, a manifestação finita do universo e, dessa forma, cada pequena célula do nosso corpo atua como receptora e transmissora das influências celestes. Se somos uma forma condensada de um universo infinitamente profundo, então cada um de nós é um universo e cada um de nós é, também, uma célula desse corpo universal.
Se o universo muda constantemente, também nossas células físicas e energéticas estão mudando. É a evolução dos mundos. É a evolução do homem. “Como é em cima, é embaixo”: a Lei de Correspondência diz que assim como as forças criativas dentro do ventre materno agem sobre o feto, assim também os raios cósmicos estão ativos sobre o homem. Parte dessa influência é filtrada através dos planetas do nosso sistema solar. O sol é nosso doador de vida, assim como o coração é o órgão que faz pulsar nossa energia vital.
O corpo etérico, essa parte invisível do corpo físico por onde fluem as correntes vitais que nos mantêm vivos, é o que nos comunica com o mundo, com os outros seres e com o universo. É através dele que recebemos as informações necessárias para a formação de nossos centros energéticos ou vórtices de energia: os chacras. Temos sete vórtices principais, sete canais de comunicação energética que vitalizam e comunicam todos nossos corpos. Esses sete centros de força, ou chacras, estão representados no corpo físico pelas glândulas endócrinas, que, por sua vez, são associadas aos planetas. Mas, todo e qualquer órgão, sistema ou chacra do nosso corpo físico e energético recebe a influência combinada de mais de um planeta, sendo que, de acordo com o aspecto observado, um planeta pode predominar sobre os outros. Daí a diversidade de interpretações que existem ao se associar os centros de força aos planetas.
Da mesma forma que cada centro não tem uma função isolada, estando nele presentes as funções dos outros centros em diferentes níveis, também cada centro está vinculado a outros planetas, variando apenas o enfoque. Entenderemos melhor se analisarmos alguns desses centros: O primeiro centro, ou chacra básico, tem como uma das funções principais a criação e expressão das necessidades de sobrevivência, que determina os limites de nossa coragem. Essa perspectiva está relacionada a Marte. A cor associada a Marte é o vermelho, que também é a cor predominante desse chacra. Marte rege a sexualidade, a agressividade, o egoísmo e nossos impulsos de sobrevivência. O chacra básico cuida da qualificação e evolução da espécie. É rudimentar e ainda não reconhece o outro, pois o processo de sociabilização só aparece no segundo centro. As glândulas endócrinas relacionadas ao primeiro centro são as supra-renais, onde se elabora a adrenalina. Hormônio associado ao planeta Marte e que cumpre a função de ataque e impulsiona os mecanismos de defesa diante de qualquer agressão, situação de risco ou susto. Alguns associam as supra-renais ao planeta Júpiter, porque seus hormônios agem como um poderoso estimulante cardíaco, exercendo um efeito calmante e suave quando o equilíbrio interno é destruído por emoções negativas. Outra função desse chacra básico é a harmonização do corpo físico no plano terreno, ou seja, a compreensão da dimensão física e a capacidade de nos mantermos na posição bípede, graças à estrutura óssea. Nesse caso, a vibração planetária é de Saturno, planeta que por analogia marca o limite e a estrutura da consciência e do corpo físico. Saturno é associado ao esqueleto e à pele (estrutura e limite do corpo). Assim, disfunções do primeiro centro podem se manifestar como patologias da pele e do sistema ósseo, por dificuldade adaptativa ao meio ambiente. O elemento associado a esse chacra é a Terra, que nos liga a Saturno e que simboliza o plano físico e a materialização.
Marte também está representado no segundo centro, ou chacra esplênico, na vibração que corresponde à experiência e conscientização do prazer, cujas glândulas são as gônadas (glândulas sexuais tanto masculinas como femininas). O elemento associado a esse centro é a Água. Nele se ativam nossos sonhos, dando-nos a capacidade de sonhar e de nos lembrarmos do material onírico e de onde flui nossa energia criativa. É óbvia a identificação que pode-se fazer entre essas funções e a energia lunar.
O terceiro centro, ou chacra umbilical, é o da identidade, da unidade do ser e das questões de poder pessoal. É eminentemente solar e controlado pelas funções do baço e do pâncreas. O baço, esotericamente, é a porta de entrada das forças emanadas pelo Sol que assimilamos e que circulam pelo nosso organismo como fluido vital. A cor amarela lembra-nos o brilho dourado do Sol. A nível energético, cuida da imunologia do “Eu”, da distribuição e controle de todos os hormônios do corpo. Conseqüentemente, é ele que controla todos os outros chacras. O Sol pode ser associado à identidade básica, ao poder de integração de si mesmo e à vitalidade. O elemento é o Fogo, que cuida dos processos metabólicos localizados na região abdominal. Em algumas linhas filosóficas este centro é relacionado a Marte. O que é compreensível, porque a raiva, sentimento conseqüente da frustração de nossos impulsos (Marte), é emanada de um terceiro centro em desarmonia. Além disso, tonicidade muscular, outra característica marciana, é uma das funções principais do terceiro centro.
O chacra do coração, ou quarto centro de força, é por analogia ligado ao planeta Vênus no que se refere à nossa capacidade de amar. É ele que controla o fluxo da energia do amor. A cor verde predominante nesse centro é também a cor de Vênus, que harmoniza e acalma. A glândula Timo, principal fonte de poder imunológico do ser é de regência solar, mas é o amor (Vênus) que lhe dá energia.
Com os outros centros ocorre o mesmo processo. A integração entre eles é fundamental, assim como necessitamos integrar as energias planetárias dentro de nós. Diversos livros de astrologia descrevem e enumeram a influência das relações entre dois ou mais planetas, o que em linguagem astrológica chamamos aspectos, que são na realidade, canais por onde flui a energia básica do indivíduo. Assim, aspectos conflitantes fazem com que haja um bloqueio, desvio ou mau uso da energia, impedindo sua livre expressão e ocasionando desequilíbrios emocionais, físicos ou espirituais. Os planetas envolvidos no aspecto tenso e os signos no qual se encontram podem registrar uma disfunção ou bloqueio no chacra correspondente. Diferentes métodos de abordagem já foram desenvolvidos por astrólogos para diagnosticar e prevenir distúrbios energéticos e físicos, mas, infelizmente, não há um consenso geral.
Donna Cunningham, no seu livro “Astrologia e cura através das vibrações”, menciona de forma sucinta essa discrepância sobre qual planeta pertence a que chacra e faz uma excelente leitura sobre os bloqueios ou distúrbios que podem ocorrer por posicionamentos difíceis dos planetas. O livro “Em busca do Eu” de Shirley Maclaine transmite-nos técnicas fáceis e eficientes de harmonização dos chacras. Sua linguagem envolvente e acessível nos põe em contato com um conhecimento inestimável para nosso crescimento e equilíbrio interno.
Acredito que o ponto de partida para saber lidar com nossas dificuldades é reconhecê-las, em primeira instância, e a partir daí, procurar mecanismos de apoio, seja através de psicoterapias, massagens, harmonização energética, cromoterapia, homeopatia, etc. Há dezenas de novas técnicas surgindo a cada dia. Nenhuma oferece cura total, mas depende de nós sabermos quais se ajustam melhor às nossas necessidades e temperamento, e lançar mão de todos os recursos disponíveis para encontrar o equilíbrio e fundamentar nossa busca de auto-realização.
É no movimento dos planetas através dos signos e casas que mobilizamos e ativamos pontos de tensão internos que já trazemos como trabalhos a realizar. Muitas vezes necessitamos de uma experiência repentina ou dolorosa para mudarmos de nível e nos capacitarmos para ver o novo sentido que a vida quer nos mostrar. O céu, na sua linguagem silenciosa e sutil, remete-nos ao passado, descobre-nos o presente e nos descortina as infinitas possibilidades do futuro. O Mapa Astral é o registro simbólico desse momento único e mágico que marcou nosso nascimento. Nele temos um trampolim para grandes saltos, porque através do autoconhecimento chegaremos mais rapidamente à auto-realização e à cura. Saibamos agradecer ao Universo a grande oportunidade de evolução que nos foi dada.